Cidades

Alagoas tem aumento de casos graves de doenças respiratórias em crianças e adolescentes

Fiocruz aponta nível de alerta para a Síndrome Respiratória Aguda Grave no estado

Por Tribuna Hoje com Fiocruz 09/10/2026 13h26 - Atualizado em 09/10/2026 18h39
Alagoas tem aumento de casos graves de doenças respiratórias em crianças e adolescentes
InfoGripe alerta para a importância da vacinação contra Covid-19 e VSR - Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil


Alagoas está entre os três estados brasileiros com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco e tendência de crescimento nas últimas seis semanas. O avanço dos casos ocorre principalmente entre crianças e adolescentes e está associado ao metapneumovírus, segundo o boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nessa quinta-feira (8).

Além de Alagoas, Roraima e Sergipe apresentam o mesmo cenário epidemiológico, conforme os dados referentes à Semana Epidemiológica 39. O levantamento considera as duas últimas semanas para classificar o nível de atividade e as seis semanas anteriores para avaliar a tendência de crescimento.

A SRAG é uma complicação de infecções respiratórias que pode exigir hospitalização. Por isso, o aumento dos registros acende um alerta para a necessidade de atenção aos sintomas, especialmente entre o público infantojuvenil.

Metapneumovírus avança em estados do Nordeste

O metapneumovírus está associado ao crescimento dos casos graves em Alagoas e Sergipe. O aumento das notificações provocadas pelo vírus também foi identificado em outros estados nordestinos, como Bahia, Paraíba e Pernambuco.

O levantamento aponta ainda crescimento de casos de SRAG por rinovírus em diferentes regiões do país. Já os registros de Covid-19 apresentam leve sinal de aumento em alguns estados, mas permanecem em níveis baixos de incidência.

No cenário nacional, os casos de SRAG apresentam oscilação ou estabilização nas últimas seis semanas, mas há sinal de crescimento na tendência de curto prazo, considerando as três semanas mais recentes. Rinovírus, metapneumovírus e Sars-CoV-2 estão entre os agentes com tendência de aumento no país.

Rinovírus concentra mais da metade dos resultados positivos recentes

Os dados das quatro últimas semanas epidemiológicas mostram que o rinovírus respondeu por 52,5% dos resultados positivos para vírus respiratórios. Em seguida aparecem o vírus sincicial respiratório (15,8%), a influenza B (6,5%), o Sars-CoV-2 (4,5%) e a influenza A (2,7%).

Entre os óbitos associados a resultados positivos para esses agentes no mesmo período, o rinovírus também teve a maior proporção, com 37,2%. A influenza B representou 14,7%, o vírus sincicial respiratório, 15,5%, a influenza A, 10,9%, e a Covid-19, 9,3%.

Em todo o ano epidemiológico de 2026, foram notificados 161.053 casos de SRAG no Brasil. Desse total, 86.534 tiveram resultado positivo para algum vírus respiratório, o equivalente a 53,7%. Outros 58.143 casos (36,1%) tiveram resultado negativo, enquanto cerca de 7.270 (4,5%) aguardavam resultado laboratorial.

Outros estados também exigem atenção

Além de Alagoas, Roraima e Sergipe, outros cinco estados apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Entre as capitais, Aracaju, Porto Alegre, Rio Branco, São Luís e Vitória registraram nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas duas últimas semanas, com tendência de crescimento ao longo das seis semanas analisadas.

O boletim reforça a importância do monitoramento dos vírus respiratórios diante da evolução dos casos graves. Em Alagoas, a atenção se concentra especialmente em crianças e adolescentes, grupo no qual foi identificado o aumento associado ao metapneumovírus.